domingo, 13 de novembro de 2011

A Onda



Onda! Porção do mar, abundância, afluência, agitação, ímpeto, tropel, linhas concêntricas... Não é à toa que foi este o nome dado ao filme Die Welle (A Onda) – 2008, do diretor Dennis Gansel (baseado em um fato similar realizado em 1967 na Califórnia). Não pretendo falar sobre o filme em termos técnicos, sobre a produção alemã ou até mesmo fotografia, caso você tenha curiosidade, assista e opine! O filme é bem estruturado, entretanto o que mais me chamou a atenção é a manipulação de ideias (representação mental de uma coisa concreta ou abstrata; modelo eterno e perfeito do que existe) e ideais (que existe apenas na ideia; aquilo que é objeto de nossa mais alta aspiração).
Nesta história não tão fictícia, o professor Rainer Wenger é escolhido para ministrar uma disciplina eletiva sobre Autocracia (autos [por si próprio] e kratos [poder]; onde uma única pessoa possui o poder supremo), e em meio a uma turma muito heterogênea, ele inicia um “projeto” baseado na questão: O nazismo ainda é possível?
A partir de pequenas experiências práticas, o professor vai explicando sobre a hegemonia e os princípios que estruturaram o nazismo, principalmente através da máxima “o poder através da disciplina”, e assim os alunos vão se auto selecionando (muito desistem da disciplina enquanto outros aderem a ela). O processo é crescente, até o momento da escolha de um nome e de um uniforme, fato este que consolida a imagem do grupo frente à sociedade escolar.
Daí para frente A Onda age como grupo unido, cada um apoiando os outros membros, os companheiros, mesmo quando se trata de abuso de poder (pichações, brigas), e com este condicionamento subliminar onde todos vão sendo inseridos, mentes doentias vão se revelando, vítimas de lavagem cerebral e total alienação. A ideologia do grupo é mais importante que qualquer outra coisa, inclusive pessoas que se mostram com pensamento diferente devem ser neutralizadas, pois se encontram fora do sistema, tem “inveja” da perfeição desse. Até mesmo as tribos as quais os membros da Onda anteriormente pertenciam são ignoradas, pois agora todos são um, iguais, suas vontades próprias não têm mais lugar.
O próprio líder, o professor, perde de vista seus objetivos iniciais e por uma fração de tempo se vê afundando dentro d'A Onda, acreditando na verdade criada em sala de aula como sendo a Verdade. Felizmente os objetivos acadêmicos retornam e muitas reflexões podem ser tiradas dos fatos ocorridos na semana, culminando na cena de aprendizado final do filme (mas não vou espoliar, assistam que vale a pena!). 


“Evoluimos, permanecemos ou entramos em ruptura com o tempo?” 




Com uma breve tentativa de pensar no lado bom dos acontecimentos e ignorar o terror, os erros, essa comuna queria seguir em frente, e dessa forma caiu nos mesmos erros que os nazistas e fascistas haviam feito anos antes (e que muitos governos ainda fazem praticando uma ditadura camuflada pela alienação, fundamentalmente sustentada pela grande mídia).
O poder através da união é base para muitas ideologias políticas, inclusive o Comunismo que preza por uma sociedade igualitária e sem classes sociais. Como é visto os modelos em si são perfeitos e consideram um ideal realmente bom e aceitável, mas infelizmente algumas pessoas com características de liderança e conhecimento limitado das ideologias acabam por distorcer fatos e criar verdadeiras guerras com uma suposta finalidade de igualdade (qualidade do que é igual e uniforme; ausência de diferenças entre direitos e deveres).
O preceito igualitário não é alcançado no momento em que a sociedade é ferida, excluída d’A Onda, vista como algo marginal e impuro. Um regime verdadeiramente partidário desse sistema preza por inclusão, estuda formas de atuação dentro da sociedade (e não apenas recebe ordens de cima, sem se preocupar com o crescimento de todos e de cada um) para inserir a todos e respeita a individualidade; no momento em que um grupo pretende se mostrar mais “puro” do que qualquer outro, os caminhos são distorcidos e fadados ao fracasso (o que muitas vezes também acarreta na morte e subjugação de indivíduos marginais ao sistema).
Infelizmente as massas são forçadas a enxergar o que a grande mídia (atual líder) lhes propõe, condicionando-lhes as vontades e opiniões, limitando as forças de ação individuais e tornando-as aliadas dos preconceitos e injustiças sociais, sem mesmo saberem que assim fazem. O estudo e conhecimento do passado e do presente são essenciais para uma verdadeira transformação futura e maior participação benéfica dentro da sociedade. Toda a ação deve ser profundamente pensada, para nunca sermos arrebatados por uma Onda totalitária e desumana.



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