domingo, 17 de julho de 2011

A REVOLUÇÃO EM DAGENHAM (Made In Dagenham, 2010)


Dagenham é um bairro do subúrbio londrino sede de uma das fábricas da Ford, onde em 1968 empregava 55 mil homens e 187 mulheres, estas responsáveis pela costura dos bancos dos automóveis.
Este filme é uma dramatização do protesto realizado por estas mulheres aos fins de maio de 1968 em prol de melhorias nas condições de trabalho (elas exerciam seus afazeres em galpões mal iluminados, mal arejados, quentes, sujos e com goteiras) além da equiparação de seus salários com o dos homens, pois elas chegavam a receber menos da metade que seus colegas do “sexo oposto”.
Toda esta contextualização ainda não é capaz de trazer o âmago desta revolução belamente retratada em um filme que alterna humor com a seriedade de uma verdadeira luta contra um sistema ultrapassado puramente baseado no machismo.
Mulheres profissionais eram consideradas inferiores, “não qualificadas”, pelo simples fato de... serem mulheres! Mas felizmente elas resolveram mostrar suas vozes e sua importância realizando uma greve, o que surpreendeu a todos, pois, veja bem... eram apenas MULHERES!


Mulheres não fazem greve, mulheres não se importam com nada e muito menos com salário, já que este era apenas uma pequena regalia. As mulheres eram adornos, bonequinhas de luxo com uma utilidade fixa: servir aos homens. O que é muito bem retratado no filme na personagem Lisa (Rosamund Pike), que estudou nas melhores escolas e sempre alcançou conceitos excelentes, mas é tratada como uma boba por seu marido, um belo enfeite sem voz.


Ao contrário da nossa carismática protagonista Rita O’Grady (Sally Hawkins), que se mostra muito tímida no início do filme, mas frente às injustiças que lhe rodeiam deixa sua força mobilizadora vir à tona, movimentando também suas colegas de trabalho para uma greve que quase faliu a Ford e alcançou proporções mundiais.
Rita sofrera além da pressão de seus superiores, pressão em casa e de toda a sociedade que a circundava, quanto mais sério o movimento ficava, mais represálias ela sofria, inclusive de seu marido na bela cena em que ele reclama da militância da mulher, se dizendo um ótimo pai e esposo, nunca tendo levantado a mão para sua família e estar sempre ajudando nos deveres domésticos, como se isso fosse efeito de sua bondade superior e não uma coisa natural, sendo que Rita profere indignada: direitos não são privilégios!


Felizmente a história tem um final satisfatório para todas as mulheres, marcando mais uma luta ganha nesta guerra milenar pela igualdade de direitos.




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