segunda-feira, 18 de abril de 2011

Da Servidão Moderna (2009)

“A servidão moderna é uma escravidão voluntária, consentida pela multidão de escravos que se arrastam pela face da terra. Eles mesmos compram as mercadorias que os escravizam cada vez mais. Eles mesmos procuram um trabalho cada vez mais alienante que lhes é dado, se demonstram estar suficientemente domados. Eles mesmos escolhem os mestres a quem deverão servir. Para que esta tragédia absurda possa ter lugar, foi necessário tirar desta classe a consciência de sua exploração e de sua alienação. Aí está a estranha modernidade da nossa época. Contrariamente aos escravos da antiguidade, aos servos da Idade Média e aos operários das primeiras revoluções industriais, estamos hoje em dia frente a uma classe totalmente escravizada, só que não sabe, ou melhor, não quer saber. Eles ignoram o que deveria ser a única e legítima reação dos explorados. Aceitam sem discutir a vida lamentável que se planejou para eles. A renúncia e a resignação são a fonte de sua desgraça.”


Somos escravos que não tem ciência da sua condição, escravos do estômago, da mídia, dos credos. Vivemos sem um mínimo de respeito ao próximo (seja humano ou não-humano), numa infindável busca pelo prazer imediato, sendo assassinados pela prórpia medicina; esta que não vai de encontro ao princípio dos males, mas apenas das consequências. De onde vem a depressão? O estresse? Nossos mais novos e constantes formadores do mal do século... Não importa, temos remédios para retardar o processo de degradação mental ao qual estamos inseridos. Que venham as doenças, não importa de onde, criaremos remédios para amenizar seus males. Mudando o foco do problema para uma ramificação do mesmo, mantendo o pensamento distante da raiz, apenas cortando seus galhos.
A obediência nos é mostrada como uma segunda natureza. Há o prazer em ser submisso, já que a revolução é muito arriscada, contestar é um passo grandioso de mais, dentro do escuro, revestido de medo. O sistema reprime toda e qualquer forma de revolução ou tentativa de mudança, dificultando as coisas.
A possessão anda de braços dados com a liberdade, fato verificado não apenas na loucura pelo dinheiro, mas também dentro dos relacionamentos, reflexo de uma sociedade doente.
Crianças não são mais crianças, são consumidores, são alvo; mulheres são tratadas como meros objetos, mercadoria.
Nessa sociedade falida e mercantil, onde deus é dinheiro, devemos nos apegar ao fato de que somente a verdade é revolucionária, somente a verdade arranca-nos as vendas dos olhos, da mente e do coração e faz com que vivamos como verdadeiros seres humanos, dignos, respeitados e respeitosos.


“Le pouvoir n’est pas à conquérir, il est à détruire.”
 
 
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